sexta-feira, 13 de julho de 2018

A Grande Deusa, Seus Símbolos e a Liberação


A Grande Deusa, Seus Símbolos e a Liberação
A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada
Excertos de palestras
Durga significa “forte”. Estamos presos dentro desse forte, e vemos o céu ao redor. É exatamente como um campo de futebol, e, dentro dele, nós estamos presos. Duh significa “difícil”, e ga significa “ir”. É difícil ir embora porque há muitíssimos muros.
Então, a superintendente deste mundo material se chama Durga. Com suas dez mãos, ela é muito poderosa. Dez mãos significam as dez direções: leste, oeste, norte, sul, nordeste, noroeste, sudeste, sudoeste, zênite e nadir. Assim, ela está vigiando todos os lados: “Você não pode sair”. Portanto, ela se chama Durga-devi, e este mundo material se chama Devi-dhama, “o lugar onde Devi, a mãe Durga, é a superintendente”. Deste modo, durga-shakti, a energia material, é tão poderosa que você não pode sair desse forte da existência material sem permissão superior. Quem pode dar essa permissão é o proprietário da energia.
Energia de Quem?
No Bhagavad-gita (7.14), Krishna diz:
daivī hy eṣā guṇa-mayī
mama m
āyā duratyayā
m
ām eva ye prapadyante
m
āyām etāṁ taranti te
“Esta Minha energia divina, que consiste nos três modos da natureza material, é difícil de ser suplantada. Porém, aqueles que se renderam a Mim podem facilmente transpô-la”.
Ela também se chama Maya, daivi-maya. Maya de quem? É de Krishna. Maya significa algo maravilhoso ou místico. Significa também ilusão, ou afeição, ou muitos outros significados. Porém, de um modo ou outro, Durga-devi, Maya, é de Krishna. Assim como a penitenciária é do governo e o Palácio do Governo também é do governo, tudo é de Krishna, a Suprema Personalidade de Deus, embora a penitenciária não seja tão boa quanto o Palácio do Governo. Īśāvāsyam idam sarva (Isopanisad 1): “Tudo pertence a Ele”. Portanto, Krishna diz mama maya, que significa “Minha energia”.
Também no Brahma-samhita (5.44), declara-se:
sṛṣṭi-sthiti-pralaya-sādhana-śaktir ekā
ch
āyeva yasya bhuvanāni bibharti durgā
icch
ānurūpam api yasya ca ceṣṭate sā
govindam
ādi-puruṣaṁ tam ahaṁ bhajāmi
“A potência externa, Maya, que é da natureza da sombra da potência cit, é adorada por todos como Durga, a agência criadora, preservadora e destruidora deste mundo material. Eu adoro o primordial Senhor Govinda [Krishna], segundo a vontade de quem Durga se conduz”.
Ainda no Bhagavad-gita, verso 14.4, encontramos:
sarva-yoniṣu kaunteya
m
ūrtayaḥ sambhavanti yāḥ
t
āsāṁ brahma mahad yonir
ahaṁ
bīja-pradaḥ pitā
“Ó filho de Kunti, deve-se compreender que é com o nascimento nesta natureza material que todas as entidades vivas, em todas as espécies de vida, tornam-se possíveis, e que Eu sou o pai que dá a semente”.
Krishna diz, ahaṁ bīja-pradaḥ pitā: “Eu insiro as sementes das entidades vivas na matéria”. Eis como as sementes das entidades vivas, como nós, são impregnadas na matéria. Assim como o pai impregna a mãe, esta natureza material é tal qual a mãe, daí a natureza material ser adorada como a mãe, a deusa, a deusa mãe, Durga, Kali. E o nacionalismo, a adoração ao país, também é a mesma adoração à matéria. Yasyatma-buddhih kunape tri-dhatuke (Srimad-Bhagavatam 10.84.13): “A pessoa identifica o eu com o corpo inerte composto de três elementos, a saber, muco, bile e ar”. Então, enquanto não nos esclarecermos, seremos adoradores desta energia material.
Acomodados na Prisão
Então, maya, esta natureza material, está sempre afligindo sobre as almas condicionadas três tipos de misérias de modo que elas possam retornar à sua consciência, a consciência de Krishna. As almas condicionadas, porém, são tão tolas e tão obtusas que elas aceitam: “Essas misérias são muito agradáveis”. Elas não têm o entendimento de que estão sempre em três tipos de misérias: adhyatmika, as misérias causadas pelo corpo e pela mente; adhibhautika, as misérias causadas pelo comportamento inamistoso de outras entidades vivas, e adhidaivika, as misérias causadas pelas perturbações naturais enviadas pelos semideuses. A penitenciária não se destina a deixar os prisioneiros confortáveis, senão que se destina a sempre lhes dar dificuldades de forma que possam se conscientizar de que os transgressores, os infratores, são punidos. Mas o prisioneiro se torna tolo o bastante para pensar: “Tudo bem. Não me importo com esta prisão. Deixe-me terminar este tempo de detenção e novamente causar transtorno”. Isso continua.
O Tridente, o Demônio e o Leão
Estamos nesta natureza material em virtude de nosso esquecimento e aversão a Krishna.
sei doṣe māyā-piśācī daṇḍa kare tāre
ādhyātmikādi tāpa-traya tāre jāri māre
“Devido a se opor à consciência de Krishna, a alma condicionada é punida pela bruxa da energia externa, maya. Ela, destarte, sofre as três classes de misérias”. (Caitanya-caritamrta, Madhya 22.13)
Vemos nas ilustrações da deusa Durga que ela carrega em sua mão um trisura, tridente. E um asura, uma pessoa demoníaca, está pelejando com o leão que a transporta, e a deusa está perfurando o peito desse demônio com o tridente. O demônio é muito forte e luta contra o leão, e a mãe, a deusa Durga, pega o demônio pelo cabelo e perfura o peito dele com o tridente ao mesmo tempo em que o leão ataca. Assim, a nossa posição atual é que estamos pensando como o demônio.
O leão é o símbolo de rajo-guna, o modo material da paixão. Kāma eṣa krodha eṣa
rajo-guṇ
a-samudbhavaḥ (Bhagavad-gita 3.37): Quando há excesso de modo da paixão, somos tomados pela luxúria e pela ira.
A característica do demônio é desafiar a existência de Deus, em consequência do que esta prakrti, natureza, o está perfurando com o tridente, que são as três classes de misérias. Estamos sob o controle da natureza material, e esse tridente está fincado em nosso peito. Como podemos compreender isso? Estamos experimentando esse tridente a todo momento. Assim, aqueles que são esclarecidos podem compreender que estamos em uma condição miserável. E aqueles que não são esclarecidos, mas estão em ignorância, pensam: “Tudo bem quanto a isto. Não nos importamos”.
kāma-krodhera dāsa hañā tāra lāthi khāya
“Deste modo, a alma condicionada se torna serva dos desejos luxuriosos e, quando estes não são realizados, torna-se serva da ira e continua a ser chutada pela energia externa, maya”. (Caitanya-caritamrta, Madhya 22.14)
A bola de futebol, embora chutada de um grupo para o outro, pensa: “Estou movimentando-me livremente”. Essa é sua liberdade. Que liberdade é essa? Assim como a bola está submetida aos chutes dos dois times de futebol, estamos subordinados aos chutes da luxúria e da ira. Somos luxuriosos e, quando a nossa luxúria não é satisfeita, somos chutados pela ira. Prosseguimos conduzindo a nossa vida dessa forma.
Por que Krishna Criou Maya?
Alguém talvez pergunte: “Por que Krishna criou a energia material, que é uma condição tão miserável?”. O governo pode criar uma penitenciária, mas por que você vai para lá? O governo convidou você para ir morar lá? Não, você se torna um criminoso e vai para lá. Existe a penitenciária e existe a universidade. Por que algumas pessoas vão para a penitenciária em vez de irem para a universidade? O governo não é parcial com as pessoas. Ele não diz: “Vocês viverão nesta universidade e serão educados, e vocês irão para a prisão e viverão lá”. Isso é uma escolha individual. Similarmente, Deus criou muitas coisas, mas é nosso dever seguir as instruções de Deus. Deus disse, sarva-dharmān parityajya mām ekaṁ śaraṇaṁ vraja (Bhagavad-gita 18.66):Simplesmente abandona todo contrassenso e rende-te a Mim. Dar-te-ei completa proteção”. Essa é a declaração de Deus. Deus é onipotente, e pode criar muitíssimas coisas para algum propósito – como este mundo material, cujo propósito é dar uma chance às entidades vivas esquecidas dEle, que quiseram desfrutar deste mundo –, mas por que vocês não seguem as instruções de Deus? Deus diz: “Rende-te a Mim”. Por que você não se rende? Por que se rende a maya?
Saindo da Prisão
Não é possível sair de Durga mediante suborno. Isto é muito fácil de entender. Vi em Delhi, por exemplo, que um homem trabalhava como datilógrafo dentro da penitenciária. Ele fora condenado a dez anos de prisão por ter atuado como espião em um departamento secretarial do governo. Mas ele era instruído e inteligente, e agradou o superintendente da prisão. Portanto, em vez de ser mantido em uma cela comum, foi colocado no escritório para datilografar. Esse prisioneiro, por ter satisfeito o superintendente da prisão, recebeu a pequena concessão de não ser colocado na cela comum, mas de trabalhar no escritório como datilógrafo. Há muitos prisioneiros políticos que recebem bangalôs de primeira classe e todas as facilidades, mas o superintendente da polícia não tem o poder de soltá-los. Isso não é possível. Similarmente, subornando Durga ou satisfazendo-a, você pode obter uma posição confortável dentro deste mundo material, mas seu verdadeiro afazer é como sair deste mundo, e isso Durga não pode dar.
hariṁ vinā naiva mṛtiṁ taranti
“Sem a misericórdia de Hari [Krishna], ninguém pode livrar-se do mundo da morte”.
A menos que você se renda a Krishna, não há possibilidade de sair das garras de maya. As almas condicionadas, entretanto, não estão se conscientizando de qual é a sua posição. É pela graça de algum representante especial do Senhor Supremo, ou pelo próprio Senhor Supremo, que é oferecida às almas condicionadas esta consciência: “Este não é o seu lugar. Você é parte e parcela de Deus. Seu lugar é o reino de Deus. Seu lugar é lá. Você está pelejando muito duro dentro desta natureza material. Apenas tente compreender sua posição”.
Tudo isso é descrito nas escrituras, nos Vedas, de sorte que as tolas almas condicionadas retomem seu juízo e tentem se tornar conscientes de Krishna e tentem tornar sua vida bem-sucedida a fim de que possam voltar ao lar, voltar ao Supremo.

Sagrado Feminino, Uma Introdução às Deusas Védicas e Seus Segredos

Sagrado Feminino, Uma Introdução às Deusas Védicas e Seus Segredos

(artigo - O Aspecto Feminino de Deus) Sagrado Feminino, Uma Introdução às Deusas Védicas e Seus Segredos14 (2)
Sri Nandanandana

Apresentação e análise de Durga, Lakshmi, Sarasvati e outras divindades femininas.

A adoração à Deusa existe há pelo menos 4000 anos na Índia, e se estende até um passado ainda mais remoto, remontando aos tempos védicos. Durga é a Deusa do universo, e Parvati, a esposa do Senhor Shiva, é uma forma de Durga. Ela tem 64 formas diferentes, com diferentes nomes para cada forma. Cada forma representa um passatempo, poder ou aspecto diferente da Deusa. Alguns dos nomes dessas formas de Durga são Ambika, Bhadra, Bhadrakali, Aryadurga, Vedagarbha, Kshemakshemakari, Naikabahu, Bhagavatai, Katyayani e outros, como Sati, que significa “castidade”. Em seus aspectos meigos, ela é adorada como Kanya, Kamakshi ou Mukamba. Uma (Parvati) é o nome de solteira da consorte do Senhor Shiva. Ela representa a matéria (prakriti). Shiva é o deus da destruição, que não tem sentido sem o que ser destruído, daí ser casado com Uma.
Durga é frequentemente retratada como uma bela mulher em vestes vermelhas. Ela pode ter quatro, oito, dez, dezoito ou vinte braços e três olhos. Os artigos em suas mãos podem incluir búzio, disco, tridente, arco, flecha, espada, adaga, escudo, rosário, cálice de vinho e sino, todos os quais representam suas potências. Ela também pode estar sobre um lótus ou montada em um leão. O leão representa o poder, mas também a tendência animalesca da ganância por comida e outros objetos sensuais. Ela estar sobre o leão representa que ela mantém todas essas tendências sob completo controle.
Todos os detalhes sobre Durga podem ser encontrados no Devi Bhagavata, ou em outra obra chamada Durgasaptashati, que pode ser encontrada como parte do Markandeya Purana. O nome “Durga” significa “alguém que é difícil de ser conhecida”. Contudo, sendo a mãe do universo, é possível nos aproximarmos dela através do amor. Como mãe, também é natural para ela dar amor a seus filhos.
(artigo - O Aspecto Feminino de Deus) Sagrado Feminino, Uma Introdução às Deusas Védicas e Seus Segredos
Deidade de Durga de um templo de Calcutá, Índia.
Durga é a personificação da energia material, na qual todos os seres vivos materialmente condicionados estão abortos em pensamentos, ações e identidade. Ela também é considerada o poder do sono, ou yoga-nidra, no qual o Senhor Vishnu descansa entre os ciclos de criação. Também é a personificação da sabedoria e do conhecimento, bem como do sacrifício, ou penitência, e do conhecimento mais elevado. Sua energia permeia o universo. Embora seja a mais bela, é, ao mesmo tempo, furiosa e terrível. Pode dispersar dificuldades e também matar os demônios.
Outra de suas formas populares é Mahishasuramardini. Nessa forma, é frequentemente apresentada com oito braços, com cada um deles segurando uma arma, e no processo de matar o demônio Mahishasura em sua forma como um touro. Ela foi gerada pela ira e pelos poderes dos deuses, isto é, Vishnu, Shiva, Brahma e outros. E as armas deles se tornaram as armas dela. Assim, montada em seu feroz leão, confrontou e matou Mahishasura e suas tropas. Esse demônio representa a propensão egoísta de que a força bruta é tudo o que é necessário para a realização de desejos egoístas. Enquanto lutava entre os deuses, ele estava se sobressaindo, até que seus poderes combinados e o desejo de lutar se manifestaram na forma da Devi como Mahishasuramardini, que, então, matou o demônio.
(artigo - O Aspecto Feminino de Deus) Sagrado Feminino, Uma Introdução às Deusas Védicas e Seus Segredos2
Durga enfrenta Mahishasura. Escultura parte do acervo da UNESCO “Monumentos de Mahabalipuram”.
Simbolicamente, Durga destrói o demônio búfalo, que representa tamo-guna, a negra qualidade de preguiça, ignorância e inércia. Ela, assim, destrói o tamo-guna dentro de nós, o qual pode ser muito difícil de ser superado. Outra de suas qualidades é sua ira, a qual algumas vezes se manifesta como a guerra. Semelhante guerra limpa o mundo dos muitos elementos negativos que se acumulam a partir de uma sociedade pecaminosa.
Posteriormente, quando os deuses foram desafiados pelos demônios Shumbha e Nishumbha, solicitaram mais uma vez a ajuda da Deus. Dessa vez, do lado de Parvati, manifestou-se como Kaushika Durga, também chamada de Ambika. A beleza de Ambika atraiu os demônios, que, então, desejaram se casar com ela. Ela fez a promessa de se casar com aquele que fosse capaz de derrotá-la em batalha, mas se revelou desastrosa a tentativa de todos os demônios. Mesmo com o auxílio de gigantes como Dhumralochana, Chanda, Munda e Raktabija, fracassaram.
Da fronte de Durga, manifestou-se a bravia e negra Kali, que se tornou conhecida como Chamunda por ter decapitado os demônios Chanda e Munda. Quando lutou contra Raktabija, exigiu-se dela um empenho especial por causa do poder que ele tinha de que cada gota de seu sangue que espirrasse se tornava outro demônio. Foi Kali quem tomou a medida de beber todo o seu sangue para impedir que novos demônios se manifestassem. Deste modo, Durga foi capaz de matá-lo. Ela, então, matou facilmente Nishumbha, mas Shumbha acusou-a de ter aceitado ajuda. A Devi, então, recolheu todas as suas emanações em uma forma, após o que deu continuidade à batalha e matou Shumbha.
(artigo - O Aspecto Feminino de Deus) Sagrado Feminino, Uma Introdução às Deusas Védicas e Seus Segredos3
Da fronte de Durga, manifestou-se a bravia e negra Kali.
Durga também é conhecida como Vaishnavi-shakti, o poder criativo do Senhor Vishnu, a causa original. Também se chama Vindhyavasini (aquela que vive nas montanhas Vindhya), Raktadanta (aquela de dentes vermelhos), Shatakshi (aquela que é querida por ter cem olhos), Shakambhari (aquela que confere aos vegetais a força da vida), Durgaa (aquela que matou Durga, uma personalidade demoníaca), Bhima (a feroz) e Bhramaramba (aquela que é querida por ter uma forma de abelhas).
A Devi também se manifesta como Maheshvari, que, de acordo com os três modos da natureza material, também se manifesta como Mahakali, Mahalakshmi e Mahasarasvati. Essas são diferentes das deusas Lakshmi e Sarasvati, sobre as quais discutiremos posteriormente. No aspecto de Mahakali, é considerada a personificação de tamo-guna, ou modo da escuridão, sono e inércia. Ela também é maya, a energia ilusória do Senhor Vishnu. Tal maya tem que ser removida para que despertemos nossa identidade espiritual verdadeira. É dentro de maya que os aparentes poderes de mal e dissensão existem. Ela é frequentemente retratada de pele azul e com dez braços, com cada um deles segurando uma arma diferente, como espada, disco, maça, arco, flecha, clava de ferro, lança, laço, cabeça humana e búzio.
Mahalakshmi é o aspecto de rajo-guna, a natureza passional. Nesse aspecto, é vista na cor vermelha, o que significa o desejo de combater as forças maléficas. Ela possui dezoito braços, segurando rosário, cântaro, maça, lança, espada, escudo, búzio, sino, taça de vinho, tridente, laço e disco. Foi ela quem matou Mahishasura.
Mahasarasvati representa o aspecto sáttvico, ou da bondade e pureza. Possui coloração clara e oito braços, que seguram um sino, um tridente, um arado, um búzio, um pilão, um disco, uma maça e uma flecha. É a manifestação da beleza, do trabalho e da organização. Foi ela, como Kaushika Durga, que se manifestou como Parvati. Foi ela quem destruiu os demônios conhecidos como Dhumralochana, Chanda, Munda, Raktabija, Nishumbha e Shumbha, os quais são certos aspectos do princípio de ego.
Kali é outra forma da Deusa que é frequentemente vista em templos e pinturas. É frequentemente retratada nua, estando coberta apenas por seus cabelos esparramados. Possui tez escura. Usa um saiote de braços humanos e uma guirlanda de crânios também humanos e, por vezes, carrega uma cabeça humana em uma das mãos, recentemente cortada e pingando sangue, e um grande cutelo na outra mão. As outras duas mãos estão conferindo bênçãos e oferecendo proteção. Sua língua é projetada para fora e, da mesma, pinga sangue. Também é comum vê-la retratada em um crematório ou em um campo de batalha em meio a cadáveres mutilados. Algumas vezes, está de pé sobre o corpo branco ou azulado de seu esposo, Shiva. Ele, desta maneira, suplica-lhe que não destrua tudo.
(artigo - O Aspecto Feminino de Deus) Sagrado Feminino, Uma Introdução às Deusas Védicas e Seus Segredos4
Kali de pé sobre o corpo branco de seu esposo, Shiva.
O significado de tudo isso é que, antes de tudo, Kali representa o tempo, kala, o que devora tudo às suas maneiras terríveis. Ela não tem vestes porque está livre do véu da ignorância, representado pelo universo, o qual oculta nossa verdadeira identidade espiritual. Ela é negra porque representa tamo-guna, ou o vazio que tudo engoliu, incluindo o espaço, o tempo e os ingredientes da natureza material. Seu saiote de braços indica que ela está contente com as oferendas de nosso trabalho, em virtude do que as usa. O saiote também representa o potencial interno para manifestação externa aguardando por acontecer. Seus cabelos soltos representam simplesmente sua liberdade de ir e vir como queira. A guirlanda de cinquenta crânios representa as cinquenta letras do alfabeto ou o som, a partir do que toda a manifestação material se origina, e que agora está em um estado de destruição, indicado por Kali usar essa guirlanda. Embora sua forma seja aterradora, ela também está oferecendo destemor mediante os gestos de sua mão.
Outra explicação de por que a deusa Kali fica de pé sobre Shiva é que, certa vez, Kali ocupou-se em uma batalha na qual destruiu todos os demônios. Em comemoração à vitória, dançou tão vigorosamente que os mundos começaram a balançar e mostrarem sinais de que seriam destruídos. Todos ficaram ansiosos, motivo pelo qual Shiva foi até ela a fim de a tranquilizar e fazê-la parar de dançar. Contudo, ela estava tão fora de si que nem o notou nem o ouviu. Shiva, então, deitou-se a seus pés, como um cadáver, para absorver o impacto de sua dança, e, quando ela finalmente notou que havia pisado em seu esposo, colocou sua língua para fora devido à vergonha.
A Identidade de Durga e a Diferença entre Mahamaya e Yogamaya
Sendo a personificação da energia material, Durga também é a criada do Senhor Krishna, e se conduz de acordo com a vontade do Supremo. Sua sombra é a energia material, maya. Nessa forma de Durga, é retratada como uma bela deusa de dez braços, representando os dez tipos de atividades materiais. Ela está montada em seu leão, indicando suas atividades heroicas. Ela é a subjugadora dos vícios, representados pela imagem do demônio Mahishasura sendo pisado por ela. Kartikeya e Ganesha são seus filhos, representando beleza e sucesso. Ela carrega vinte armas, denotando as várias atividades piedosas prescritas nos Vedas para a supressão de vícios. Ela também carrega uma cobra, que significa o tempo destruidor. A palavra durga significa “prisão” ou “forte”, uma vez que o mundo material é como uma prisão da qual é difícil escapar. Dur significa “dificuldade”, e ga, “ir”. É, portanto, muito difícil escaparmos deste mundo material sem nos submetermos a muitas privações. Não obstante, quem se refugia na potência espiritual pode se livrar da natureza ilusória do mundo material. Quando os seres vivos se esquecem de sua natureza espiritual e do serviço ao Ser Supremo, Krishna, são confinados na prisão material do universo. Esse é o aspecto da criação material que é presidido por Durga. Contudo, quem é devoto do Senhor e está no caminho espiritual para reobter sua natureza verdadeira está livre do ambiente prisional do universo – Durga não o afeta.
A forma espiritual de Durga é yogamaya. A forma externa de Durga é mahamaya, a energia ilusória. A forma espiritual de Durga, que funciona na plataforma de shuddha-sattva, a existência transcendental pura, é compreendida como a irmã de Krishna, conhecida como Ekanamsha ou Subhadra.9 O nome Subhadra significa “muito auspiciosa”. Subhadra, portanto, também abre caminho para o progresso espiritual do devoto fornecendo o que é auspicioso e removendo tudo o que é inauspicioso. Então, essa é a forma espiritual de Durga, cuja sombra é a energia material externa.
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Subhadra, de cor amarela, ladeada por seus irmãos Balarama e Jagannatha, em Pune, Índia.
Devemos atentar a que Durga trabalha no mundo material. Subhadra faz o papel de irmã do Senhor Krishna e é a energia interna ou espiritual, e não opera, como Durga, no mundo material. Originalmente, portanto, sua energia é uma, mas, através de sua expansão como Durga, ela trabalha em uma competência diferente dentro do reino material.
Contudo, ainda superior a Subhadra é Radharani, a consorte do Senhor Krishna e a quintessência da energia espiritual. Ela é a personificação, essência e origem da potência de prazer do Senhor Krishna, hladini-shakti. Essa potência de prazer do Senhor Krishna se expande para se tornar Radharani a fim de que aconteçam os passatempos espirituais mais íntimos, em Goloka Vrinadavana, o planeta espiritual supremo. Desta maneira, Durga também pode ser considerada uma expansão de Radharani. Radharani, portanto, é a fonte da essência do prazer na dimensão espiritual, ao passo que Durga fornece os meios para todo prazer no âmbito material.
Podemos entender, por conseguinte, que a mahamaya, manifesta no mundo material, é uma expansão de yogamaya, do mundo espiritual. Yogamaya administra o céu espiritual e, em sua expansão parcial como mahamaya, administra o mundo material. Yogamaya encobre os devotos no mundo espiritual de modo que eles possam se esquecer da grandeza do Senhor e se ocuparem em passatempos amorosos com Ele como Seus amigos, familiares, criados e assim por diante sem se sentirem oprimidos por Sua onipotência. Mahamaya, atuante no mundo material, por outro lado, mantém as entidades vivas esquecidas de sua verdadeira natureza eterna enquanto não revelem alguma inclinação espiritual. Isso as mantém superficialmente contentes com a felicidade material. Assim, yogamaya ajuda a unir os devotos com o Ser Supremo em vários relacionamentos, enquanto mahamaya os mantêm separados, ou ao menos faz parecer que estão separados através do princípio do esquecimento a que é submetida a alma individual.
O Narada Purana (1.3.13-15) lista muitos nomes de Durga. Uma vez que é considerada uma das energias do Senhor, é tratada como Sua shakti, e se chama Uma, Bharati, Girija e Ambika. Os grandes sábios designam-na como Durga, Bhadrakali, Chandi, Mahesvari, Kaumari, Vaishnavi (a potência suprema do Senhor Vishnu), Varahi (a potência do Senhor Varaha, uma encarnação de Krishna), Aindra, Shambhavi, Brahmi (conectada ao Senhor Brahma), Vidya (conhecimento espiritual), Avidya (ignorância), Maya (a energia ilusória do Senhor), e Para Prakriti (a natureza primordial suprema).
Outros aspectos de Durga são acompanhados por um nome diferente e frequentemente têm, cada um, uma história associada. Não narraremos cada história, mas alguns dos nomes adicionais podem ser apresentados. Entre esses nomes, figura Lalita, que é uma formosa deusa que vive eternamente na cidade de Shripura, no monte Meru, com seu esposo, Shiva Kameshvara. Annapurna é a forma de Parvati que abençoa o lar com alimento. Aparajita significa Durga como a invencível. Bala significa criança. Bhadrakali é um dos aspectos de Mahakali e a forma que surge de sua ira quando seu esposo, Shiva, foi insultado por Daksha, forma essa que lutou, ao lado de Virabhadra, a corporificação da ira de Shiva, para destruir o sacrifício de Daksha. Bhairavi é a Devi como o poder de aterrorizar – um dos dez aspectos da energia de Shiva. Bhavani é outro nome. Bhutatma é a mãe dos bhutas, ou fantasmas. Dakshayani é Durga como a filha de Daksha. Gauri significa a amarela ou dourada esposa de Shiva. Indrakshi possui olhos similares aos de Indra e é frequentemente adorada por Indra. Ela também pode abrandar doenças incuráveis quando agradada por meio de bons hinos. Jagadhatri significa “aquela que sustenta o mundo”. Katyayani é a Devi em seu nascimento como a filha de Kata. Parvati é a filha de Parvata, a personificação do Himalaia. Rudrani é a esposa de Rudra. Tripura Bhairavi é a shakti de Shiva quando ele é o regente da morte.
No Brahma Vaivarta Purana (Krishna-janma-khanda 118.35), Durga fala com Shiva sobre como ela é uma expansão desde os reinos mais elevados e explica a si mesma da seguinte forma: “Sou Mahalakshmi em Vaikuntha, Srimati Radha em Goloka, Shivaa [ligada a Shiva] na região de Shiva, e Sarasvati na morada do deus Brahma”. Assim, dos níveis mais elevados do domínio espiritual, ela se expande a fim de incluir todas as outras shaktis ou potências.
O Narada Purana (1.3.27) também explica isso em relação ao Senhor Vishnu: “A shakti dEle é a grandiosa maya, a confiável protetora do universo. Em razão de ser a causa material do universo, os estudiosos [também] a chamam de prakriti”.
Essa energia ilusória, maya, exerce um importante papel no processo criativo da manifestação cósmica. No Srimad-Bhagavatam (3.5.25), Maitreya explica a Vidura que a energia externa trabalha tanto como a causa quanto como o efeito na manifestação cósmica. Essa energia externa é conhecida como maya, ou ilusão, e, somente através de sua agência, toda a manifestação material se faz possível.
Além de possibilitar a manifestação material, outra função de maya é encobrir os seres vivos dentro da energia material e, deste modo, mantê-los em ilusão no que diz respeito à sua verdadeira identidade. Essa categoria de esquecimento é um dos princípios fundamentais do mundo material, sem o que as entidades vivas não poderiam se envolver com a vida material. Afinal, se fosse óbvio demais a nós entidades vivas o fato de que somos entidades espirituais, não ficaríamos satisfeitos com as atividades materiais ou com a ocupação nos prazeres sensoriais corpóreos. Então, para ajudar a providenciar um lugar de atuação para as almas materialmente condicionadas que se mostram rebeldes e querem viver fora do reino de Deus, esse esquecimento é necessário.
Na verdade, os seres vivos espirituais ficam apenas encobertos por essa nuvem de maya, a qual afeta sua consciência. Portanto, a meta de qualquer caminho espiritual genuíno é simplesmente remover essa nuvem e a influência da energia ilusória. Se um sistema religioso não pode fazer isso, então ele é incompleto.
A Brahma-samhita (5.44) também explica que maya é como a sombra da potência de conhecimento, ou chit, do Senhor, e também é adorada na forma de Durga, a agência criadora, preservadora e destruidora deste mundo material.
Os Shaktas
A tradição shakta é uma das três principais tradições da cultura védica. O poder ou energia de Shiva é a shakti, a corporificação do poder. Ela é o poder e o suporte de todo o universo. Assim, ela é a Mãe Universal. Aquele que adora a shakti, ou a energia feminina divina, é um shakta. Shiva representa a consciência eterna, enquanto a shakti representa a mente e a matéria. Os shaktas são aqueles que acreditam que a atividade original ou o princípio criativo da existência é a energia divina chamada shakti. Shakti é a energia feminina inerente em tudo ao longo do universo, e é considerada a companheira do Senhor Shiva em sua forma personificada.
As ideias originais da crença shakta podem ser traçadas até o Rig-veda e obras posteriores. Contudo, os Vedanta-sutras (2.2.42-45) apontam alguns erros essenciais na filosofia shakta. Por exemplo, considerar que a shakti, ou a energia, pode ser a causa independente do mundo não é uma compreensão completa. A razão é que somente a energia não pode criar sem a cooperação, direção e facilidade do energético, que, neste caso, é o Criador ou Ser Supremo. A energia necessariamente tem uma fonte, o energético. Assim, como explicamos, essa shakti é, em última instância, a energia do Senhor Supremo. Ela não é nem pode ser a única causa do mundo. Ela trabalha muito proximamente com a energia do Senhor na forma do Senhor Shiva.
(artigo - O Aspecto Feminino de Deus) Sagrado Feminino, Uma Introdução às Deusas Védicas e Seus Segredos6
Shaktas são comumente identificados por marcarem a fronte com um círculo vermelho ou traço vertical de mesma cor.
O Supremo é o energético ou a fonte e controlador da energia, assim como a usina de energia é a fonte da energia elétrica que é controlada para iluminar muitíssimas lâmpadas. Deste modo, a energia não pode existir sem o energético. Por conseguinte, os seguidores do culto da shakti que imaginam que a energia é a causa do mundo não têm fundamentação na autoridade védica conclusiva. Não é possível que meramente pela energia todos os elementos do universo sejam produzidos. Da mesma maneira, não vemos uma mulher produzir crianças sem a contribuição de um homem, senão que somente através da energia dada pelo sêmen de um homem pode haver concepção em uma mulher. Similarmente, somente se a shakti, ou a natureza, for controlada e dirigida pelo contato com o purusha, Deus, pode haver a formação organizada dos elementos materiais. Desta forma, tudo procede do Ser Supremo, como explicado na literatura védica, e a shakti não é independente.
Os shaktas se dividem em dois grupos, um chamado a mão direita, e o outro chamado de grupo da mão esquerda. O grupo da mão direita, ou dakshinachara, é o grupo ascético, enquanto a mão esquerda, ou vamachara, são aqueles que combinam exercícios ióguicos com práticas que são frequentemente consideradas mais heterodoxas, as quais se chamam panchamakara, ou “os cinco emes”, a saber, madya (consumo de vinho), mamsa (consumo de carne), matsya (peixe), mudra (grãos tostados), maithuna (sexo ritualístico) e também canções cerimoniais. Na maior parte dos casos, o consumo de vinho e carne e as atividades sexuais se destinam a serem utilizadas como parte de um rito sacrificial na adoração à deusa Kali ou Durga.
Lakshmi
A deusa Lakshmi é a consorte e shakti, ou potência, do Senhor Vishnu. Lakshmi – ou Sri, quando especialmente tratada como a deusa da beleza (embora, algumas vezes, consideradas como entidades distintas) – é a deusa da fortuna, da riqueza, do poder e da amabilidade. Riqueza não diz respeito apenas a dinheiro, mas também a valores superiores e qualidade de vida. O poder da mente e do intelecto também é fundamental se a pessoa quer ser verdadeiramente rica, o que inclui a riqueza espiritual. Esses são pré-requisitos para a obtenção de conhecimento espiritual, daí Lakshmi ser adorada nos dias quatro, cinco e seis do festival de Navaratri, antes da adoração a Sarasvati, quem será explicada em seguida.
Como a esposa do Senhor Vishnu, ela aparece quando quer que Ele o faça, em cada um de Seus adventos, tais como Vamana, Parashurama, Rama ou Krishna. Nesses adventos, ela apareceu, respectivamente, como Padma, ou Kamala; Dharani; Sita, e Rukmini. Eles são inseparáveis.
Lakshmi é retratada como excepcionalmente bela, de pé sobre um lótus. Com quatro braços, segura em duas de suas mãos flores de lótus, e a mão direita inferior oferece bênçãos de fortuna, ao passo que a mão esquerda inferior é mostrada erguida no mudra, ou postura de mão, de conferimento de bênçãos.
(artigo - O Aspecto Feminino de Deus) Sagrado Feminino, Uma Introdução às Deusas Védicas e Seus Segredos7
Lakshmi, a deusa da fortuna.
As flores de lótus que ela carrega em suas mãos representam que conhecer a si mesmo é a meta suprema da vida. Também indicam os vários mundos e seres vivos em diferentes estados de desenvolvimento ou evolução. Certas vezes, pode aparecer segurando um coco dentro de um pote em uma mão, que é outra representação de Lakshmi. Quando, porém, ela está na companhia do Senhor Vishnu, ela pode ser vista com duas ou quatro mãos. Seus quatro braços indicam as quatro principais bênçãos da existência humana, a saber, dharma (atos de retidão e dever), artha (prosperidade), kama (prazeres sensuais) e moksha (libertação final). Ela sempre usa uma guirlanda de lótus e é frequentemente vista com elefantes de ambos os seus lados oferecendo-lhe artigos, como guirlandas, ou derramando sobre ela potes d’água, que, por sua vez, podem exibir donzelas celestiais. Sua cor é frequentemente negra, ou branca, rosa ou amarelo dourado. Quando sua cor é negra, indica sua conexão com o Senhor Vishnu. Quando vista na cor amarelo dourado, isso a representa como a fonte de toda fortuna e riqueza. Quando branca, é vista como o modo da natureza mais elevado, a partir do qual o universo se origina. E quando vista como rosada, isso representa sua disposição de misericórdia ou compaixão para com todas as criaturas, uma vez que ela é também a mãe de todos os seres.
Ocasionalmente, você pode vê-la em um templo apenas dela, sem a companhia do Senhor Vishnu. Nesse caso, ela é vista sentada sobre um trono de lótus e segurando em suas quatro mãos um padma (lótus), shankha (búzio), amritakalasha (pote de néctar) e uma fruta bilva. O pote de néctar indica as bênçãos de imortalidade. A fruta que ela segura representa os resultados de nosso trabalho ou ações, o que vem pelas bênçãos dela. Quando essa fruta é um coco, indica que ela é a fonte dos três níveis de criação, a saber, o grosseiro, o sutil e o imperceptível. Se é uma romã, significa que todos os mundos estão sob sua influência, aos quais ela é transcendental. E se a fruta é a bilva, que é saudável porém não muito apetitosa, isso significa a bênção de moksha, libertação.
Quando é retratada com oito braços, também segura um arco, uma flecha, uma maça e um disco. No entanto, isso é, na verdade, um aspecto de Durga, a saber, Mahalakshmi.
Não há muitos templos dedicados exclusivamente à Deusa Lakshmi. Ela comumente recebe um espaço ao lado do Senhor Vishnu, ou um pequeno santuário em um dos templos. Contudo, em alguns raros templos dedicados a Lakshmi, você pode vê-la em um trono central com seus outros oito aspectos, ou expansões, ao seu lado – quatro à direita e quatro à esquerda. Essas expansões têm diferentes combinações de mãos segurando vários objetos representando seus diferentes poderes. A mais popular dessas é Gajalakshmi, exibida com quatro braços sobre um lótus de oito pétalas. Esse seu aspecto é mais frequentemente visto posicionado sobre portas de casas ou templos. Quando vista com duas mãos, é conhecida como Samanyalakshmi e Indralakshmi.
Outros nomes para Lakshmi incluem Hira (joia), Indira (aquela que é poderosa), Jaladhi-ja (nascida do oceano) e Lokamata (mãe do mundo). Contudo, ela também se chama Chanchala, cujo significado é “instável”, ou “aquela que jamais fica em um lugar por muito tempo”. Isso significa que a boa fortuna e a riqueza comumente não permanecem com alguém por muito tempo. Somente com o mais elevado respeito por Lakshmi ela permanecerá no lar de alguém. Isso não significa apenas oferecer-lhe adoração, mas também ter o zelo de não deixar que ela se vá facilmente por gastar dinheiro em artigos ou projetos desnecessários.
Em algumas pinturas dela, é vista sobre uma coruja, que, em sânscrito, é uluka, outro nome para Indra, o rei dos céus. Assim, ela monta sobre o rei dos deuses, o proprietário de toda riqueza material e de todo poder material que um ser vivo poderia querer neste mundo, o que ainda não é o mundo espiritual.
Em sua primeira encarnação, Lakshmi foi a filha do sábio Bhrigu e de sua esposa Khyati. Posteriormente, nasceu do oceano de leite quando esse foi batido pelos esforços cooperativos dos devas (semideuses) e asuras (demônios). Esse evento pode ser lido no Bhagavata Purana (8.6-8). Em resumo, os demônios e os semideuses estavam em prolongado conflito entre si. Porque os semideuses ofenderam e foram amaldiçoados pelo sábio Durvasa Muni, perderam seu reino celeste quando derrotados pelos demônios. Assim, os semideuses foram ter com o Senhor Brahma a fim de explicarem a situação. Todos eles, então, foram oferecer orações ao Senhor Vishnu, que, satisfeito com eles, aconselhou-os em relação a como deveriam proceder. Cumprindo essas instruções, os semideuses fizeram um acordo de trégua com os demônios a fim de que pudessem trabalhar juntos na batedura do imenso oceano de leite, pelo que o néctar da imortalidade seria produzido, o que todos eles naturalmente queriam. Muitas outras coisas surgiram dessa batedura, tal como um poderoso veneno, bebido pelo Senhor Shiva. Depois disso, entre outras coisas e personalidades, veio Lakshmi, a deusa da fortuna. Ela foi adorada pelos grandes sábios e semideuses, mas não foi capaz de encontrar alguém para ser seu esposo, em virtude do que selecionou o Senhor Vishnu, que lhe deu um local onde pudesse sempre ficar. 
Sarasvati
O significado literal do nome Sarasvati é aquela que dá o conhecimento essencial (sara) de nosso próprio eu (sva). A deusa Sarasvati também é considerada a deusa da aprendizagem, ou da educação, inteligência, perícias, artes e habilidades. Como é a consorte de Brahma, que é considerado a fonte de todo conhecimento, Sarasvati é o conhecimento em si. Assim, muitos estudantes ou mesmo eruditos podem adorá-la a fim de receberem suas bênçãos. Ela é descrita como de tez branca, e muito bela e graciosa.
Ela é frequentemente retratada sentada sobre um lótus, que simboliza que ela tem por base a experiência da Verdade Absoluta. Assim, ela não apenas tem o conhecimento, mas também a experiência da Realidade Altíssima. Ela segura em suas quatro mãos um instrumento vina, uma akshamala (contas de orar) e um pustaka (livro) na esquerda, livro esse representando o conhecimento de todas as ciências. Ela segurar o livro, ou as escrituras, em uma mão também indica que somente esse conhecimento pode nos levar à Verdade. A vina mostra a beleza de aprender as belas artes. Tocando sua vina, ela sintoniza a mente e o intelecto com o conhecimento dela, e, deste modo, o buscador pode ficar em harmonia com o universo. As contas de oração representam todas as ciências espirituais, como meditação e japa (canto dos santos nomes de Deus), e, sendo seguradas na mão direita, indicam que se trata de algo mais importante do que o conhecimento secular contido no livro em sua mão esquerda. Seus quatro braços representam seu irrestrito poder nas quatro direções. Ela também representa criatividade, ou a combinação de poder e inteligência, a base da criatividade.
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Sarasvati, deusa da aprendizagem.
Seu nome significa literalmente “aquela que flui”, o que pode ser aplicado a pensamentos, palavras ou ao fluir de um rio. Ela é a deidade de um rio no Rig-veda. Seus outros nomes incluem Sarada (outorgadora da essência), Brahmi (esposa de Brahma), Mahavidya (portadora do conhecimento supremo), Bharati (eloquência), Maha-vidya (conhecimento transcendental), Arya (nobre), Maha-vani (o verbo transcendental), Kamadhenu (aquela similar a uma vaca realizadora dos desejos), Dhaneshvari (a divindade da riqueza) e Vagishvari (mestra da fala). É através da fala que o conhecimento se manifesta em ação. É por meio dela que a linguagem e a escrita se revelam.
Ocasionalmente, também é mostrada com cinco cabeças e oito braços, representando seus poderes adicionais. Outros objetos que ela pode segurar incluem o pasha (laço), ankusha (aguilhão), chakra (disco), padma (lótus), trishula (tridente) e shankha (búzio). Algumas vezes, também é vista montada em um cisne, o transportador de seu esposo, Brahma. Em outros momentos, é vista montada em um pavão ou sentada com um pavão próximo a ela. O pavão representa a beleza mundana, que pode distrair o aspirante espiritual. O cisne carrega o significado da aquisição de sabedoria e conhecimento, uma vez que esse animal tem a habilidade de separar o leite da água quando bebe, ingerindo apenas o leite.
Sarasvati também é a shakti, ou poder, de Brahma, o criador secundário do universo. Ela, deste modo, também é considerada uma mãe do universo. Destarte, também é associada à fertilidade.
Gayatri
Gayatri é a deusa que é a personificação do sagrado mantra Gayatri, que é entoado três vezes ao dia. Ela o compartilha com as deusas Savitri e Sarasvati. Gayatri tem quatro faces, e quatro ou dez braços, e monta um cisne. Ela preside o canto matinal da oração, e preside também o Rig-veda e os fogos sagrados de nome garhapatya. Esses eram os fogos sagrados que os três varnas conhecidos como brahmanas, kshatriyas e vaishyas tinham de manter em suas casas para a feitura de rituais sagrados. Então, a deusa Savitri preside o canto da oração ao meio-dia. Ela possui quatro faces com doze olhos, tem quatro braços e monta um touro. Ela também rege o Yajur-veda e o fogo dakshina. Sarasvati, por sua vez, rege a entoação noturna da oração e o Sama-veda. 
Srimati Radharani
Srimati Radharani é a Deusa Suprema. Ela é vista quase sempre com o Senhor Krishna. Descreve-se que Ela é a principal associada e devota do Senhor Krishna, bem como a maior de todas as deusas. Seu nome significa que Ela é a melhor adoradora do Senhor Krishna. Contudo, também é uma expansão da energia do Senhor. Uma vez que é uma extensão de Krishna, Ela é o aspecto feminino de Deus. Assim, na tradição vaishnava gaudiya, Deus é tanto masculino como feminino. Eles são Um, mas Krishna Se expande em dois, Ele próprio e Radharani, para a possibilitação de passatempos amorosos e divinos. Se permanecessem Um, não haveria nem relacionamentos, nem passatempos, nem trocas dinâmicas de amor. (Chaitanya-charitamrita, Adi-lila 4.55-56)
Se todos nós permanecêssemos fundidos ou amalgamados em uma única força ou luz, não haveria necessidade de nada mais. Certamente não seria necessária esta manifestação material para providenciar às inumeráveis almas condicionadas os meios para buscarem o caminho para satisfazerem seus sentidos, mentes, emoções, desejos para autoexpressão, atividades intelectuais e tantas outras coisas. Similarmente, o mundo espiritual é a manifestação dentro da qual todas as almas têm a oportunidade de se ocuparem em uma imensa pluralidade de passatempos em relacionamentos amorosos em plena variedade espiritual, sem os muitos impedimentos que encontramos neste mundo material. A única diferença é que o mundo espiritual é centrado em torno do Ser Supremo. E essa Personalidade Suprema expande-Se em Radharani para exibir o relacionamento amoroso supremo, no qual muitos outros O auxiliam.
No Brihad-Gautamiya Tantra, Radharani é assim descrita:
devi krishna-mayi prokta
radhika para-devata
sarva-lakshmi-mayi sarva
kantih sammohini para
“A deusa transcendental Srimati Radharani é a contraparte direta do Senhor Sri Krishna. Ela é a figura central para todas as deusas da fortuna. Ela possui toda atratividade para atrair a todo-atrativa Personalidade de Deus. Ela é a potência interna primordial do Senhor”.
(artigo - O Aspecto Feminino de Deus) Sagrado Feminino, Uma Introdução às Deusas Védicas e Seus Segredos9
Radharani, a Deusa Suprema.
O Brihad-Gautamiya Tantra explica ainda que Radha é conhecida como a Deusa Suprema, a fonte de toda abundância e toda beleza, e possui o poder de encantar a todos. Toda a existência dEla é permeada por Sri Krishna. Desta maneira, portanto, Ela é a Deusa Suprema do amor, pois é a consorte do Senhor Krishna, que é o Supremo Deus do amor.
Explicando mais detalhadamente, Srimati Radharani é também a fonte de todas as outras deusas, que são expansões Suas. Assim como o Senhor Krishna é a fonte de todas as outras expansões e encarnações de Deus, Radharani é a fonte de todas as demais expansões das energias de Deus, as shaktis, ou outras deusas. Assim, Vishnu, Rama e mesmo Shiva são todos expansões do único Ser Supremo, e, similarmente, Lakshmi, Sita e mesmo Durga são todos expansões dessa forma feminina suprema de Deus, Radharani.
Explica-se que as amadas consortes do Senhor Krishna são de três tipos, a saber, as deusas da fortuna, ou Lakshmis; Suas rainhas; e as vaqueirinhas de Vraja, chamadas gopis. Todas elas procedem de Radharani. As Lakshmis são manifestações parciais, ou porções plenárias, de Srimati Radharani, ao passo que as rainhas em Vaikuntha e em Dvaraka são reflexos de Sua imagem. As vrajadevis, ou gopis, são Suas expansões e auxiliam na ampliação de rasa, ou os passatempos divinos e amorosos. Entre eles, há muitos grupos com vários sentimentos e humores, os quais contribuem para a saboreação da doçura da dança da rasa e outros passatempos da parte do Senhor Krishna. (Chaitanya-charitamrita, Adi-lila 4.75-81)
“Entre as gopis de Vrindavana, Srimati Radharani e outra gopi são consideradas as principais. Contudo, quando as comparamos, parece que Srimati Radharani é mais importante, haja vista que Seu aspecto verdadeiro expressa o êxtase de amor mais elevado. O êxtase de amor experimentado pelas demais gopis não pode ser comparado àquele de Srimati Radharani”. (Ujjvala-nilamani 4.3, de Rupa Gosvami)
Radharani possui muitos nomes de acordo com Suas qualidades e características. Alguns dos nomes pelos quais Radharani é conhecida incluem Govinda-anandini, “aquela que confere prazer a Govinda [Krishna]”; Govinda-mohini, “aquela que mistifica Govinda”; Govinda-sarvasa, “aquela que é tudo para Govinda”; Shiromani Sarva-kanta, “a joia mais preciosa entre todas as consortes do Senhor”, e Krishnamayi, “aquela que vê Krishna tanto dentro quanto fora”. Ela também é chamada de Radhika nos Puranas porque Sua adoração [aradhana] ao Senhor consiste em realizar os desejos dEle. Aradhana é a raiz do nome Radharani, que indica alguém que é perita em adorar o Senhor. Ela também Se chama Sarva-lakshmi, “a fonte original de todas as deusas da fortuna”. Isso também significa que Ela é a energia suprema do Senhor Krishna, e representa Suas seis opulências, a saber, fama, fortuna, força, riqueza, conhecimento e desapego. Também é conhecida como Sarva-kanti, o que indica que toda beleza e brilho repousam em Seu corpo, e a beleza de todas as Lakshmis deriva dEla. Sarva-kanti também significa que todos os desejos do Senhor Krishna repousam em Srimati Radharani. Assim como o Senhor Krishna encanta o mundo com Sua beleza e Seu encanto, Sri Radha O encanta. Portanto, Ela é a Deusa Suprema. Sri Radha é o poder completo, e o Senhor Krishna é o possuidor de todo poder. (Chaitanya-charitamrita, Adi-lila 4.82, 84, 87-96) Assim, os dois não são diferentes, assim como os raios solares não são diferentes do Sol, ou assim como a energia não é diferente do energético ou da fonte de energia.
Sem Radha, não há sentido para Krishna, e, sem Krishna, não há sentido para Radha. Por causa disso, na tradição vaishnava, sempre oferecemos respeitos primeiramente à energia interna do Senhor na forma de Radha, e, então, ao Senhor. Assim, são referidos como Radha-Krishna, ou, em outros nomes, como Sita-Rama, Lakshmi-Narayana e assim por diante. Assim, Radha e Krishna são Um, mas, quando o Senhor Krishna deseja desfrutar, Ele Se manifesta como Radharani. De outro modo, não há nenhuma energia em que Krishna possa obter prazer, pois não obtém prazer fora de Si.
Também se descreve que a potência de amor de Deus se chama hladini, a potência de prazer do Senhor. Quando quer que o Senhor deseje desfrutar de prazer, Ele exibe Sua potência espiritual pessoal conhecida como hladini. E a essência desse amor está na emoção chamada bhava. O desenvolvimento último dessa emoção é mahabhava, ou grande bhava. Mahabhava é repleto da potência de prazer, e é uma exibição do amor mais elevado pelo Senhor Krishna. Sri Radharani é a corporificação dessa consciência transcendental encontrada em mahabhava. Sua mente, Seus sentidos e Seu corpo estão sempre imersos nessa categoria mais elevada de amor por Krishna. Ela é tão espiritual quanto o próprio Senhor.
Ela, então, expande-Se em diferentes formas, conhecidas como Lalita, Visakha e Suas outras companheiras confidentes, as quais ampliam a disposição de amor divino. Contudo, sendo o aspecto hladini do Senhor, é também a fonte derradeira de toda felicidade para todos os seres vivos. Em outras palavras, tudo o que confere prazer e felicidade dentro dos mundos espirituais e materiais o faz por causa dEla e da energia que dEla emana. (Chaitanya-charitamrita, Adi-lila 4.68-72)
(artigo - O Aspecto Feminino de Deus) Sagrado Feminino, Uma Introdução às Deusas Védicas e Seus Segredos10
Krishna e Radharani na companhia de Lalita, Visakha e outras companheiras confidentes de Radha.
Essa potência de prazer se expande e se difunde pelos mundos espirituais, após o que desce à criação material nas muitas formas de felicidade que são experimentadas pela alma condicionada, embora possa ser chamada por diferentes nomes e percebida de variadas maneiras. Uma vez que todos nós somos partes e parcelas do Senhor, também temos essa potência de prazer dentro de nós em um grau diminuto. O erro é estarmos tentando desfrutar dela no mundo material. Somos como centelhas que estão se apagando devido a termos deixado o nosso lugar, que é o fogo radiante da companhia do Senhor Krishna.
O mantra Hare Krishna dirige a atenção e a devoção de quem o entoa tanto para Radha quanto para Krishna. Radha também é conhecida como a mãe Hara, que, no vocativo dentro do mantra, se torna Hare. Ao cantar Hare Krishna, portanto, estamos nos dirigindo primeiramente à potência interna do Senhor e solicitando a Radha que bondosamente nos ocupe a serviço do Senhor Krishna. Concentrarmo-nos em Krishna através de Seus nomes é uma forma desse serviço. Em outras palavras, é por meio de Radha que o sujeito obtém mais facilmente Krishna e o serviço a Krishna. Essa é a vantagem de nos aproximarmos do Senhor Krishna pela mediação de Radharani.
As descrições da beleza de Radharani são maravilhosamente poéticas e descritivas. Com efeito, os residentes de Vrindavana se importam mais com Radharani do que com o Senhor Krishna. Eles sabem que Krishna pode ser influenciado por meio de Radharani. Sabem que Radha pode levar a pessoa até Krishna. Ela também é a natureza compassiva do Senhor, motivo pelo qual é mais fácil aproximarmo-nos dEla do que nos aproximarmos diretamente do Senhor Krishna. E quando lemos as descrições de Radha, vemos que não há nada de espantoso em relação ao quanto são devotados a Ela. Por exemplo, explica-se que Srimati Radharani possui ilimitadas qualidades transcendentes, das quais vinte e cinco são principais. Estas são: (1) Ela é muito doce, (2) é sempre viçosamente jovem, (3) possui olhos inquietos, (4) sorri radiantemente, (5) possui linhas belas e auspiciosas, (6) faz Krishna feliz com Seu aroma corpóreo, (7) é muito perita em cantar, (8) Sua fala é encantadora, (9) é muito perita em brincar e falar de modo aprazível, (10) é muito humilde e meiga, (11) é sempre plena de misericórdia, (12) é esperta, (13) é perita na execução de Seus deveres, (14) é tímida, (15) é sempre respeitosa, (16) é sempre calma, (17) sempre grave, (18) é destra no desfrute da vida, (19) situa-Se no mais elevado nível de amor extático, (20) é o reservatório dos assuntos amorosos de Gokula, (21) é a mais famosa entre todos os devotos submissos, (22) é muito afetuosa para com pessoas mais velhas, (23) é deveras submissa ao amor de Suas amigas, (24) é a principal gopi e (25) sempre mantém Krishna sob Seu controle. Resumidamente; assim como Krishna, Srimati Radharani possui ilimitadas qualidades transcendentais. (Ujjvala-nilamani, Sri-radha-prakarana 11-15)
Descrevendo Srimati Radharani, Rupa Gosvami também diz em seu Vidagdha-madhava (1.32): “A beleza dos olhos de Srimati Radharani devor à força a beleza de flores de lótus azuis recém-desabrochadas, e a beleza de Sua face supera aquela de toda uma vastidão de lótus plenamente florescidos. Seu brilho corpóreo parece deixar até mesmo o ouro em uma situação dolorosa. É assim que a beleza maravilhosa e sem precedentes de Srimati Radharani está despertando Vrindavana”.
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Gokulananda (Krishna) e Radharani. Deidades do Bhaktivedanta Manor, Londres, Inglaterra.
“Embora a refulgência da Lua revele-se brilhante à noite, ela se apaga durante o dia. Similarmente, embora os lótus sejam belos durante o dia, eles se fecham à noite. Contudo, ó Meu amigo, a face de Minha amadíssima Srimati Radharani é sempre esplendorosa e bela, tanto ao longo do dia quanto ao longo da noite. Portanto, a que Sua face pode ser comparada?”. (Vidagdha-madhava 5.20)
“Quando Srimati Radharani sorri, ondas de júbilo tomam conta das maçãs de Seu rosto, e Suas sobrancelhas arqueadas dançam como o arco de Cupido. Seu olhar é tão encantador que é como um abelhão dançante, movendo-se irregularmente devido à intoxicação. Essa abelha mordeu o verticilo do Meu coração”. (Vidagdha-madhava 2.51)
Muitos dos grandes preceptores espirituais na linha vaishnava escreveram livros para explicar e glorificar o amor divino entre Radha e Krishna. Alguns deles são Jayadeva, Bilvamangala, Rupa Gosvami, Sanatana Gosvami, Krishnadasa Kaviraja, Raghunatha Dasa, Ramananda Raya, Prabhodananda Sarasvati e Bhaktivinoda Thakura.
Esse amor devocional a Deus, que é considerado o desenvolvimento mais elevado do despertar espiritual, é muito expresso através das artes, como pinturas, dança, poemas, música etc. Tais santos famosos por suas canções acerca do amor a Sri Krishna incluem Chandidas, Jayadeva, Surdas, Mirabai, Tulasidas, Tukaram, Narottama Dasa Thakura e muitos outros.
Há muito mais a se falar sobre Srimati Radharani, mas este conteúdo é o bastante por ora. Enfim, a troca espiritual de amor divino entre Radha e Krishna é a exibição da energia interna do Senhor, e é muito confidencial e difícil de entender. Nenhum materialista pode entender, mesmo que superficialmente, este tópico do relacionamento entre Radharani e o Senhor Krishna. Porém, quanto mais despertamos nosso amor dormente por Deus, que é o estado natural de ser para uma alma completamente desperta, mais podemos compreender e de fato entrar nessas trocas amorosas espirituais.
Fonte: Google e o livro das Deusas.
Daniel Carletti 

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Ritual Tântrico de Isis




               


                                O TANTRA DE ISIS



                                    Essência do verdadeiro Amor





        

 

  

Nota: ao se realizar o Ritual Tântrico de Isis, nem sempre os dois consortes se encontram no mesmo estágio evolutivo, e isso pode ocasionar contrariedade por parte de um dos parceiros. Diante disso, da incapacidade por parte de um dos parceiros de compreender o valor desse ato de Amor e alquimia espiritual, recomenda-se que apenas um dos consortes execute os passos do Tantra de Isis, permitindo ao outro que participe do ato livremente, de acordo com suas crenças e capacidades sensíveis. A escolha individual que parte de apenas um dos consortes não invalida o Ritual, desde que o ato amoroso seja realizado também com o espírito do parceiro, que será invocado silenciosamente para estar consciente nas dimensões superiores de existência.
O Tantra de Isis é um ritual de partilha amorosa, e recomenda-se que os parceiros obtenham um grau elevado de interação mútua para que se alcance os melhores resultados. A base de todo relacionamento amoroso é a partilha emocional, a entrega e a confiança entre os parceiros, e isso deve ser almejado durante o ritual, para que seja conquistado. Com o tempo de prática, a Maestria amorosa será revelada, tendo o princípio feminino representado pela figura da Deusa Terrestre como a grande guia para entrada nesse Universo.
Esse Ritual foi concebido como uma série de canalizações da Deusa Isis, e das minhas próprias experiências de vidas passadas, no Egito antigo, onde vivi como sacerdote ou sacerdotisa, por 44 encarnações.


        


        


Nas nascentes do Nilo, no alto Egito, um Ritual secreto acontecia a cada primavera. Nesse Ritual, as águas do Nilo eram purificadas pelos sacerdotes e sacerdotisas do culto de Isis e Osiris, a fim de serem preparadas para a união sagrada dos consortes divinos, que representavam respectivamente a essência do princípio feminino e do princípio masculino, forças geradoras da vida no Universo.
       

Um festival acontecia nas piscinas de um templo próximo das nascentes, dedicado a Isis. A Deusa da fertilidade e da sexualidade (Isis) era celebrada com um Ritual tântrico egípcio, em que casais de amantes praticavam a união carnal em honra ao casal de Deuses, e uniam seus Eus dimensionais (Eu superior, Eu básico e Eu inferior) desde a dimensão física até a perfeição do Universo. Para os egípcios, assim como para as correntes esotéricas modernas, a alma era dividida em partes, com níveis de consciência diferenciados, e tinha origem divina, no Mundo Celestial. O corpo era enxergado como uma das partes da alma, pois continha o segredo da consciência de estar na Terra com gratidão e dignidade. Para os egípcios, o corpo não era uma cela da qual a alma deveria se libertar para atingir a união com Deus, mas ao contrário, era parte de uma força essencial que provinha das dimensões superiores, e se comunicava com essa força, podendo integrá-la no mundo físico. O tantra de Isis era uma forma mágica de resgatar essa integração, através da união amorosa com o sexo oposto.

        




      
        

No Ritual tântrico de Isis, a alma era concebida como uma essência naturalmente pura e sagrada, e a união de almas como uma oportunidade de enxergar a beleza que existe em todas as coisas, através da beleza que existe no outro.
As águas do Nilo eram semeadas com o humor sexual dos amantes, e isso era considerado o ponto alto do Ritual, pois todo Egito seria abençoado com a prosperidade de Isis e Osiris, por intermédio dos casais que se amavam e se uniam em corpo e espírito à perfeição do Universo.
Desse ritual coletivo e secreto, derivou a comunhão íntima entre casais que era ensinada pelas sacerdotisas deste templo. Os alunos eram aceitos apenas sob entrevista ou indicação de outros sacerdotes, geralmente provenientes das castas aristocráticas, pois o tantra era um Ritual de magia sexual, mantido em segredo e sob controle da casta sacerdotal.
O Tantra de Isis difere das demais correntes esotéricas Tântricas em muitos aspectos: o primeiro deles é que não há exercícios para atingir os níveis de maestria, ou seja, não há uma técnica a ser empregada para subida da energia Kundalini. A segunda diferença importante é que para os Mestres do Tantra Egípcio, (e consequentemente para todo pensamento esotérico) a Kundalini é um nível de consciência, a ser acessado pelas almas que se reconhecem sagradas durante o ritual. A terceira grande diferença é que para o Tantra Egípcio, o orgasmo é sagrado, e é um dos estágios de comunhão entre os consortes, sendo também parte da comunhão entre o sagrado feminino e o sagrado masculino, que ocorre no coração de cada um dos amantes.
        


       PASSOS DO RITUAL TÂNTRICO DE ISIS

 



      
        

Primeiro: os amantes (diante do(a) consorte), estabelecem um reconhecimento da sua própria essência espiritual divina, imaginando-se na origem, no mundo Celestial e descendo até seu corpo em uma ponte de Luz Celestial, que provém de sua conexão com a identidade divina. Essa Luz/som deve ser ancorada no corpo físico para que toda prática tântrica seja permeada pela inocência e pureza divina, e não pela dominação sexual animal e competição, que são permeadas pela ignorância, culpa e separação da fonte.
        







      
   
A ponte de Luz significa uma ligação multidimensional, que atravessa todos os níveis superiores até a manifestação física. O praticante pode se imaginar como uma holografia reproduzida em muitas dimensões, como uma ponte feita de suas próprias imagens, que atravessa as nuvens e chega até o solo, no ponto onde ele se encontra. É o que você é no tempo presente, ligado a toda sabedoria e amor de todas as suas outras vidas, e seu futuro na Terra. É isso que será compartilhado entre os amantes. O amor infinito é o maior presente que alguém pode oferecer a outra pessoa.

Segundo: reconhecer a beleza e a sacralidade do outro, usando as mesmas imagens de antes, mas agora tocando a origem celestial do parceiro e trazendo até ele/ela. Imaginar a Luz descendo da origem divina até o corpo do(a) parceiro(a).
      


Terceiro: comprometer-se, silenciosamente, e de mãos dadas, a honrar o outro com todo seu amor. comprometer-se a receber o amor do outro, sem medo, e a dissolver todas as barreiras de possessão e dominação sexual, que são baseadas na culpa e na desconfiança.
Agradecer ao outro, silenciosamente e de mãos dadas, por ser a pessoa escolhida para compartilhar o amor sagrado no corpo físico, pois isso predispõe você a receber o imenso presente que é ser amado por outra pessoa.
Esse passo é um ponto crítico do Ritual tântrico, pois o orgulho é uma sombra de personalidade que impede qualquer um (mesmo os que se acham grandes amantes) de alcançar o poder do verdadeiro e essencial amor. O gesto mais elevado é ter a humildade de receber e estar aberto a experiência de perder o medo, e honrar o outro com ternura e cuidado.

O quarto passo do Ritual é compartilhar a manifestação física da doação amorosa.
O casal pode suspender essa etapa e treinar a união espiritual até que haja confiança mútua para atravessar o limiar da interação física.
Caso não haja condições emocionais para a interação física, o casal deve criar uma interação espiritual, se imaginando fazendo amor nos níveis espirituais em todas as dimensões superiores, descendo até o corpo físico. Até que a intimidade seja conquistada, é necessário antes de mais nada uma interação em espírito, pois sem isso a sensação física do ato será empobrecida e decepcionante.
        



 

Quando o casal estiver totalmente a vontade, devem explorar o corpo um do outro, tocando primeiro as mãos e os braços, lentamente, sentindo o calor da pele do outro. O tempo é uma das chaves para alcançar a união amorosa em todos os níveis. Esse Ritual pode durar horas, pois quando se está ligado com o(a) parceiro(a) em níveis multidimensionais, a experiência traz a suspensão da percepção do tempo. Há uma calma e prazer imenso sendo compartilhados, e os campos energéticos são nutridos com amor. Essa energia é estimulante e nutridora, e pode sustentar o desejo de trocar amor por muito tempo.
O rosto do parceiro é tocado suavemente, mas com as mãos abertas. Você deve sentir o rosto com as mãos, com delicadeza e oferecendo seu amor espiritual, em um gesto de honrar o outro com o reconhecimento de sua beleza, e não importa o quanto essa pessoa seja fisicamente graciosa, pois cada ser viveu na Terra muitas vidas e muitas formas, sendo a sua singularidade no agora sua forma ideal.
Toque o pescoço do parceiro, massageando-o com delicadeza e ternura. O pescoço é uma zona erógena importante, pois o sistema nervoso tende a congestionar energia nessa região, endurecendo o corpo com tensões musculares. Tocar e massagear o parceiro nesse ponto causa um grande relaxamento. Mentalize amor de seu espírito fluindo em direção ao corpo do parceiro enquanto você toca seu corpo.
Suas mãos devem ser leves como algodão. Toque o ombro do parceiro e o peito. Pare por um momento nesse ponto. Os seios simbolizam a nutrição, o amor que flui do coração físico e é transformado em alimento para o corpo. Sinta o coração através dos seios, e depois desça as mãos pelas laterais do corpo, sempre conduzindo amor espiritual da fonte para o corpo do parceiro, e se imaginando fazendo amor com ele em todas as dimensões. Você pode abraçar o parceiro nesse momento, e apertar seu corpo numa fusão de energia amorosa.
        






Passe alguns momentos abraçado(a) ao parceiro, sinta o calor de seu corpo, e deixe que sua região sexual toque a região sexual do parceiro, enquanto imagina o amor se consumando em todas as dimensões acima do casal. Esse é um momento adequado para beijar o(a) parceiro(a). O beijo é uma forma de compartilhar o sabor da pele do parceiro. Acaricie com sua língua o corpo do parceiro, beije o pescoço e a boca, enquanto se imagina fazendo amor com o parceiro, em todas as dimensões acima de seus corpos. Imaginem-se sendo a fonte de amor puro, que flui do mundo Celestial. Dissolva a culpa que bloqueia a sacralidade desse ato, e perceba que oportunidade única é estar na Terra e sentir prazer. Sinta a inocência e o amor passando entre seu corpo e o corpo do parceiro. Toque a parte inferior do corpo do parceiro, dissolvendo a culpa primordial por ter se separado da fonte. Use o prazer como uma ponte de ligação com o espírito.
Massageie o sexo do parceiro, imaginando amor puro e terno como um presente oferecido ao outro. O amor puro da fonte celestial dissolve a culpa que empobrece o ato de tocar o outro. Enquanto toca o sexo do parceiro com carinho, mentalize a união carnal acontecendo desde a fonte até o corpo físico, e alimente seu desejo sexual com esse amor sagrado. Esse é um momento especial no Ritual, pois o órgão sexual é mal compreendido em sua função espiritual. Ele representa o fluxo do amor divino sendo compartilhado. É um instrumento da criação divina.
        
        


        

Entregue-se ao êxtase de sentir a energia amorosa da fonte celestial passando por seu corpo. Isso tem o poder de nutrir as células do seu corpo com o amor do outro, em sua sacralidade. Apenas a culpa pode impedir isso, liberte-se dela nesse momento, pois é apenas um condicionamento de separação.
Esse é um momento adequado para deixar que a união carnal seja consumada, pois a conexão com a fonte Celestial está suficientemente estabelecida. A partir desse momento, existe inocência e amor suficientes para dissolver a culpa e separação da fonte, e o coração pode ser iluminado com o amor divino.
   

        


        

Tente permanecer com o parceiro, sem se preocupar em terminar algo. Abandone a necessidade de aliviar a pressão por estar separado da fonte, pois é isso a urgência pelo orgasmo. Sinta o prazer que é estar amando outra pessoa. Permita que o amor seja espalhado por todo seu corpo. Sentir o amor da origem Celestial no corpo imprime calma ao ato sexual, pois esse amor é pleno de inocência e êxtase.
Se o parceiro masculino sentir muita pressão do corpo pelo orgasmo, ele deve evitar a movimentação enquanto estiver dentro da parceira, e respirar lenta e profundamente. Existe um condicionamento de muitas eras por dominação sexual quando se está praticando o ato. Quando a mente tentar tomar o controle e restabelecer o padrão de dominação animal, você deve se imaginar novamente fazendo amor desde a fonte Celestial, e em todas as dimensões até o corpo físico, sentindo a imensa paz que é ser amado por outra pessoa. Apoie-se nesse amor para restabelecer o contato com a fonte Celestial de inocência e amor, enquanto sente o êxtase amoroso sexual com o parceiro. Perceba o quanto esse ato é um presente, e estar na Terra é maravilhoso para você. Beije e toque o corpo do parceiro, enquanto faz amor com ele(a). Ofereça a ternura de seu espírito, sem culpa por ser quem você é. Entregue-se a este êxtase até que de livre consentimento vocês se permitam chegar ao orgasmo, Pois o tantra de Isis não despreza este momento de união espiritual sagrada.

O tantra de Isis é um Ritual que não deve ser terminado. Ele é algo que deve ser dado como um presente ao parceiro, e a sensação de união pode perdurar, pois é uma união na pureza e amor, e não no controle do livre arbítrio do outro. Quando você não estabelece a separação da fonte amorosa que é o outro, permanece ligado a fonte inesgotável do amor do espírito, e essa ligação dura muitos dias após a realização do Ritual.


      

      PASSOS DO RITUAL TÂNTRICO DE ISIS




Uma vez que as bases da parte 1 do ritual estiverem completamente integradas como uma técnica dominada pelos praticantes, poderá ser alcançado o limiar metafísico do Tantra de Isis.
        


Nesse estágio, há um poder imenso a ser despertado pelo contato com a fonte de energia tântrica dourada proveniente do coração da Deusa Terrestre. O coração da Deusa é um portal de Luz de evolução e criação material, e pode ser acessado se houver um parceiro que represente o complemento sexual oposto dentro do coração da Deusa.
Uma grande Lótus dourada deve ser visualizada durante o Ritual, e o casal de consortes deve estar dentro dessa Lótus, fazendo Amor. Enquanto fazem Amor dentro da Lótus, devem visualizar a energia dourada fluindo do cálice formado pelo pedúnculo e receptáculo floral, em forma de cone, abaixo dos pés dos amantes. Metafisicamente, isso significa que o chakra Estrela da Terra (localizado abaixo dos pés há 15 centímetros) estará canalizando para cima do corpo energético do praticante a energia dourada da Deusa, e redistribuindo-a para si e para o parceiro, através de todos os chakras e do órgão genital, que deve empurrar a energia dourada para o órgão genital (e chakra sexual) do parceiro durante o Ritual.
        



        
        

Todos os chakras e corpos energéticos devem ser conectados e energizados com a energia da kundalini dourada, durante o Ritual, bem como os corpos físicos, dentro da Lótus. O casal deve estar completamente unido em todos os pontos energéticos, amalgamado.
    




       
        

Imagine seu corpo e o corpo do parceiro como corpos dourados, fazendo amor, enquanto energiza o parceiro com dourado através do seu órgão sexual. Para aumentar ainda mais o poder de absorção da energia dourada, você pode imaginar os chakras Estrela da Alma (15 cm acima da cabeça) e Estrela da Terra (15 cm abaixo dos pés) como duas espirais que giram no sentido contrário, enquanto faz Amor, distribuindo a energia da Kundalini dourada entre você e seu parceiro.
Para que os chakras possam absorver a energia dourada da Kundalini, é necessário que estejam completamente limpos. A melhor maneira de limpar os chakras, enquanto se pratica o ritual é visualizar serpentes douradas dentro dos chakras. As serpentes douradas devem se mover em espiral dentro dos chakras. Isso vai ativar ainda mais o poder da Kundalini que pode fazer parte integral da energia dos chakras, que se tornarão maiores e iluminados, aumentando em consciência e poder.
   
        




        
Imagine também serpentes douradas se enrolando em sentidos opostos, em torno do casal, dentro da Lótus. Essa visualização pode parecer complexa no começo, mas uma vez que os passos sejam decorados, será fácil internalizar a técnica ao modo espontâneo de fazer Amor, para se atingir poder, prazer e orgasmo.
        




       BASES METAFÍSICAS DO RITUAL TÂNTRICO DE ISI

        

O primeiro passo para realização do Ritual de amor sagrado é a conexão entre todos os Eus (Eu superior, Eu básico e Eu inferior), desde a origem celestial até o corpo carnal. Em segundo lugar, os praticantes devem se dispor ao parceiro, para que haja conexão de troca energética mútua, em equilíbrio, sem perdas para nenhum dos lados, e o casal possa estabelecer uma conexão entre as polaridades masculina e feminina da malha cósmica (éter). O objetivo da polarização masculino e feminino é a absorção das duas forças primordiais vitais: a solar proveniente do plano celestial e a energia da kundalini da Terra, de caráter lunar.
No templo de Isis, era regra comum os parceiros determinarem essa aliança através de palavras mágicas, iniciando com os dizeres:
Eu sou Isis, meu corpo é seu nesse momento, faça dele um jardim onde você poderá sentir o prazer de estar na Terra, e caminhando através do meu corpo vislumbrar tudo o que é sagrado ¨. Estas eram as palavras que a consorte dizia ao parceiro.
Eu sou Osiris, meu corpo é seu nesse momento, faça dele um caminho, um horizonte sem fim, onde você conquistará a sensação de ser livre, e pertencer a todos as lugares do Universo ¨. Estas eram as palavras que o consorte dizia a parceira.
Ser Isis significa personificar o princípio feminino, ser o corpo da Deusa. Isso permite que o parceiro abra seu coração para a atitude de receber amor. Isis é a base de sustentação para sexualidade sagrada. Na força e na presença de Isis, a culpa, o medo, e o ódio desaparecem, e o Deus interior pode encarnar na realização do Amor.
Ser Osiris significa personificar o princípio masculino. Isso libera e canaliza o impulso da energia sexual ativa, dinâmica, em direção ao Amor e ao orgasmo (êxtase). Uma vez que essa energia seja definida em polos opostos e complementares masculino e feminino no Ritual de Amor sagrado, há uma abertura dos canais da malha energética, conectando os consortes com as forças luminosas do cosmos e da Terra.
       

                              O PRANA DOURADO



O prana dourado, ou energia da Kundalini da Deusa, foi mitologicamente perseguido no passado, por Magos e Reis, que buscavam a imortalidade. O prana dourado tem a particularidade de poder ser programado para várias funções, desde aumentar o poder mágico, a vidência, e até prolongar a vida, a duração das células do corpo físico, trazer a imortalidade. Existe uma pequena parcela de prana dourado contido em alguns alimentos considerados sagrados pelos povos antigos, como partes de alguns peixes, algumas plantas como o Louro, o Ginseng, no Óleo de oliva... Embora haja escassas fontes exteriores de obtenção deste poderoso elixir da vida, aos iniciados, em essência, o prana dourado deve ser criado através do próprio poder mágico, através da conexão estabelecida pelas duas e interconectadas fontes de existência: a feminina (lunar), e a masculina (solar), por meio dos dois grandes chakras transpessoais; o Estrela da Alma e o Estrela da Terra.
Após o Ritual, seus chakras estarão totalmente energizados pela Kundalini dourada, mesmo após o orgasmo. Você pode visualizar essa energia dourada viajando até seus órgãos, sua pele, seus músculos, ossos, todas as células do seu corpo, e mentalmente pode programar o prana dourado para rejuvenescer seu corpo, curá-lo, torná-lo forte e saudável. Converse com seu corpo físico, pedindo a ele que aceite e redistribua a energia dourada por todo o corpo, todas as células, enquanto imagina seu corpo todo dourado e brilhante, rejuvenescido e saudável.
Com o tempo de prática, você notará o despertar de uma grande reconexão com a Terra, e um sentimento de prazer imenso, que ficará impresso como um novo código energético em seu corpo. O prana dourado ativará em suas células o poder de reter a serotonina despertada pelo orgasmo, e você se sentirá parte de todas as criaturas vidas, e em comunicação pacífica, amorosa e vital com elas. Esse sentimento é a expressão máxima do chakra sexual, e só pode ser acessado se houver uma purificação e harmonização do chakra sexual pela Kundalini da Terra.
O segredo metafísico da relação entre o chakra sexual e a kundalini permaneceu escondido por eras, pois o chakra sexual é também a morada das sombras de personalidade, das emoções inferiores como ciúme, inveja, dominação sobre o outro, vícios. Uma vez que um Mago domine as forças magnéticas da kundalini, seu poder simplesmente se multiplica muitas e muitas vezes.
Na Índia antiga, em muitas interpretações védicas arcaicas, o segundo chakra era considerado o chakra do baço, pois os iniciados eram impedidos pelos grandes mestres de acessarem diretamente o poder oculto do chakra sexual, o verdadeiro segundo chakra. Mesmo entre os antigos mestres chineses, praticantes do Qigong, ou chi kung (que literalmente significa cultivação da energia da vida), as técnicas de obtenção do prana dourado eram apenas reservadas aos estudiosos mais hábeis, que conseguiam sozinhos dominar esta arte, pois nada era ensinado, apenas comentado.
O Ritual do Tantra de Isis é uma maneira segura de explorar os domínios e a expressão máxima do chakra sexual, sem cair na armadilha das sombras que poderiam ser despertadas e energizadas por outras técnicas e práticas sexuais.
        

ELIMINANDO MAGIAS NEGRAS E PADRÕES
NEGATIVOS DE OUTRAS PESSOAS NO SEU PARCEIRO AMOROSO
O Ritual tântrico de Isis é um poderoso remédio para liberação de antigas memórias de relacionamentos passados, e de cordas de energia criadas por intrusos que desejam prender o coração do parceiro.
Antes de iniciar a prática corpórea, durante a fase de preparação da mentalização dos amantes dentro da Lótus coração da Deusa, deve-se imaginar panteras negras devorando toda magia negra e cordas com relacionamentos passados no corpo energético do parceiro. Peça que a Deusa limpe com os animais toda magia e padrões de separação. Todos os chakras devem ser limpos, imaginando-se uma pantera negra devorando a energia negativa para cada chakra do corpo sutil do parceiro.
A pantera negra é o animal que guarda a sabedoria de cura da Deusa primordial, e um dos animais da alquimia metafísica do espírito.
Invocar o poder de cura da pantera negra equivale a drenar para o profundo da Terra os padrões de desequilíbrio contidos nos chakras, e por consequência, toda magia negra e elementais de dominação também serão destruídos.
Você pode realizar o Ritual tântrico como está descrito nos passos posteriores, sem temer ser afetado pela limpeza que os animais da Deusa estarão executando durante o ritual.
       

                                    O QUE É A KUNDALINI ?




  
        




        

A Kundalini é o fogo sagrado que reside próximo a base da coluna vertebral. É simbolizada como uma serpente enrolada (em Sânscrito: kundalini), que se acha normalmente inativa sobre a região coccígea do primeiro chakra (básico). O processo de liberação da Kundalini utiliza os circuitos cristalinos do corpo, particularmente a glândula pineal, e também um arco reflexo especial de energia ressoante que se estende da região do cóccix até a base do cérebro. Nesse processo, que ocorre em etapas, os chakras são ativados e desbloqueados dos implantes energéticos gerados por eras de Karma negativo, que cristalizam as estruturas do sistema de chakras e nadis da malha energética.
A liberação da Kundalini ativa todos os chakras do sistema energético, e unem o sistema ao fluxo de energia proveniente do Eu superior, criando uma ponte espiritual até os níveis superiores de consciência.
Segundo a tradição hindu, a Kundalini tem sete camadas, e cada camada tem sete subcamadas. Há portanto quarenta e nove estágios de ativação da Kundalini. De maneira geral, a Kundalini é ativada em pessoas comuns, mas em grau muito pequeno. A questão então é saber o quanto a kundalini está ativada, e não se ela está ou não está.
Quando a kundalini é despertada de forma inadequada, as qualidades interiores positivas e negativas da pessoa são elevadas a um nível muito alto. A energia da kundalini é como um fertilizante. Sejam quais forem as sementes que estejam no solo, elas serão estimuladas a crescer. Da mesma forma, as sementes antigas que a pessoa possui, sejam boas ou más, serão engrandecidas. É por essa razão que todos aqueles que trilham o caminho espiritual devem vencer seus demônios internos, como uma verdadeira batalha espiritual, através de disciplina, purificação e auto transformação.


Por que a energia da kundalini deve ser despertada? Para permitir que a mente concreta registre as experiências espirituais. Sem a energia da kundalini, a mente concreta não tem como registrar os estímulos espirituais.
      

        



        

No Egito, o despertar da energia kundalini, que se elevou até o centro da cabeça, é simbolizado por uma serpente sobre o adorno de cabeça do faraó.
       
        



        

Nos tempos antigos egípcios, a figura do faraó era a fonte da benevolência e sabedoria para governar seu povo, e requeria austeridade e disciplina espiritual. Os faraós eram conscientes de seu papel, e meditavam regularmente a fim de que seu espírito servisse de modelo a seu povo, pois ambos estavam ligados energeticamente.
    


     


Na tradição chinesa, um sábio cuja kundalini esteja totalmente desperta e que a dominou, é representado por uma pessoa cavalgando um dragão. A figura da Deusa Kuan Yin é representava por vezes dessa forma, pois se sabe que a kundalini só pode ser despertada após o desenvolvimento dos atributos dourados da compaixão e paz interior, atributos do sagrado feminino.
   


        


        

Na índia, o grau do despertar da kundalini é simbolizado pelo número de cobras naja pairando sobre o topo da cabeça do iogue. O número de najas simboliza o número de camadas que foram despertadas. As vezes, pode-se ver a estátua de um iogue meditando, com uma ou três, ou até mesmo cinco najas pairando sobre sua cabeça. Sete najas simboliza uma grande alma, um grande professor espiritual.
        

                                                         O CADUCEU

Como é sabido desde os tempos antigos, a energia vital (prana) caminha pelo corpo etérico através de canais de energia que percorrem o corpo. Estes canais são conhecidos como nadis. Os nadis não são os canais de energia conhecidos pela acupuntura, mas sua estrutura se assemelha a uma malha de luz, que está espalhada pelo corpo etérico, e que tem como função distribuir o prana entre os chakras menores e maiores do corpo energético etérico. Os nadis menores tem conexão com três grandes nadis ou canais centrais de energia que percorrem o corpo, paralelamente a coluna vertebral. Estes canais são chamados ida, pingala e sushumna.
A estrutura dos três canais organiza-se pelo corpo etérico da seguinte forma:
Ida é um canal de energia lunar. A energia que percorre ida é ascendente, e provem do ventre da grande Mãe divina, no centro da Terra, sendo transmutada pelo chakra Estrela da Terra, e pelos chakras secundários dos pés, e depois subindo pelo canal ida até o chakra da coroa, depois pelos chakras Estrela da alma e portão estelar, e indo além, para o Sol e nossa galáxia, a Via Láctea. Sua qualidade é fria, lunar, sua cor é prateada, e vibra uma oitava abaixo do prana comum.
A energia que percorre pingala é descendente, e provém do cosmos, passando pela Via Láctea e pelo Sol, sendo transmutada pelos chakras portão estelar e Estrela da alma, depois pelo chakra da coroa e descendo pelo canal pingala até os chakras dos pés e o chakra Estrela da Terra, e depois ao coração da grande mãe, no centro da Terra. Sua qualidade é quente, solar, sua cor é dourada, e vibra uma oitava acima do prana comum.
Sushumna é o canal (nadi) central de prana. Está ligado a coluna vertebral, e passa por dentro dela. A energia prânica transmutada pelos crakras Estrela da alma e Estrela da Terra percorre esse canal, que tem ligação direta com os nadis, e consequentemente com os chakras. Toda essa estrutura pode ser entendida como uma grande rede de energia que abastece todo corpo etérico com a energia vital, o prana. Os chakras atuam nesse complexo sistema como estações reguladoras e distribuidoras do prana.


A energia que passa pelos canais Ida e Pingala vibra uma oitava abaixo (Ida), ou uma oitava acima (Pingala) do prana comum, e é transformada em prana comum utilizável pelos chakras, que estão relacionados ao canal Sushumna, e distribuem essa energia pelo corpo etérico.

Originalmente, o símbolo do caduceu representava os três canais de energia. O bastão central simboliza o nadi Sushumna, e as duas serpentes enroladas simbolizam os dois canais adicionais Ida e Pingala.
Olhando sob um ponto de vista bidimensional, os três canais de energia Ida, Pingala e Sushumna parecem se cruzar, e por muito tempo foi assim compreendido pelos antigos estudantes da ciência esotérica. O símbolo do caduceu, com duas serpentes que se cruzam, e sobem em torno de um bastão, foi concebido pelos hindus, com os sacerdotes do Deus Shiva, e pelos egípcios, com os sacerdotes do Deus Thot, e depois adotado pelos gregos, como símbolo do Deus Hermes. Foi posteriormente utilizado como símbolo da medicina.
Nota-se que no caduceu, as duas serpentes estão subindo o bastão, formando um entrelaçamento até o topo. Esse símbolo foi assim concebido de maneira intencional pelos antigos sábios egípcios das escolas de mistério. Não era seguro propagar aos leigos os segredos do funcionamento da energia da vida, pois tal informação poderia ser utilizada pelos mal intencionados para provocar doenças psíquicas, ou controlar a mente de outras pessoas.
Se o caduceu fosse representar fielmente o que acontece com energia masculina e feminina universal manifesta no corpo de energia humano, uma das serpentes teria que estar descendo, em direção a Terra, enquanto a outra subiria, em direção ao cosmos, e elas estariam em posição espiral, pois assim a energia caminha.
Na ponta do caduceu, há uma esfera, com asas. Isso simboliza que o espírito humano provém do plano celestial, e tende a retornar a fonte. Quando o espírito evolui na Terra, ilumina-se da verdade suprema, e esta preparado para viver a plenitude da vida terrena.
A outra simbologia da esfera com asas é a Deusa Isis, que foi aluna de Thot. Chamado no Egito de "o não nascido", Thot ensinou a Isis os segredos da Alta Magia, e a partir de então, Isis tornou-se a guardiã dos segredos da Magia, aquela que consegue destruir todos os encantamentos. A esfera com asas simboliza a origem celestial do espírito, a origem de todas as coisas.


No caduceu, as serpentes entrelaçadas na realidade são símbolos da energia da kundalini, provenientes das manifestações masculina e feminina do ser supremo universal, uno, que origina em si todas as coisas.
        

                                          CORDÕES ESPIRITUAIS


        

        

A alma encarnada está conectada à alma superior por um cordão espiritual Em uma pessoa comum, o cordão espiritual é tão fino quanto um fio de cabelo. As pessoas religiosas têm cordões espirituais até da grossura do dedo mindinho. Para aqueles que atingiram um grau substancial de realização da alma, o cordão espiritual é visto como um pilar de luz. É por esse motivo que os santos ou yogues adiantados às vezes são mostrados com um pilar de luz descendo sobre suas cabeças. Se uma pessoa é constantemente maldosa e prejudicial a outras pessoas, o cordão espiritual pode desconectar-se. Ele também pode se desconectar quando alguém leva uma vida emocional e sexual de orgia por um período de tempo prolongado. Quando a pessoa é muito ambiciosa e ganha dinheiro através do sofrimento alheio, o cordão também se desconecta. Quando o cordão é desconectado, a alma encarnada transforma-se em uma alma perdida, um desalmado. Quando uma pessoa pratica a construção do seu caráter, ou o desenvolvimento das virtudes, o cordão espiritual torna-se mais forte e mais grosso. Quando as palavras, os atos, os pensamentos de uma pessoa não são saudáveis, o cordão espiritual fica mais fino.
        



        




O cordão espiritual percorre a coluna pelo canal central da coluna (nadi Sushumna) e continua descendo até a Terra. O cordão inferior é chamado cordão da Terra, e permite que a alma encarnada se enraíze na Terra, e possa ajustar-se ao planeta, e funcionar na consciência das esferas terrenas da existência. O enraizamento inferior permite que o corpo absorva o prana da Terra, necessário a manutenção da saúde e força física do corpo. Outro termo para esse enraizamento inferior é enraizamento na Terra, enquanto que o enraizamento superior é conhecido como enraizamento espiritual. Literalmente, a pessoa é como uma árvore, que requer sustento da Terra e do Sol. O cordão espiritual nos liga ao portal solar, que refina, transmuta, e nos envia do Espaço profundo os raios cósmicos que permitem o sustento da alma encarnada na Terra.
        
 Texto Retirado da Internet sobre a busca de Hieros Gamos e Magia Sexual